A abóbada celeste como teto do meu mundo, flutuar e caminhar por entre as nuvens sentindo o vento gelado que carrega gotas de água. Cair, sentir o corpo acelerar, ver o horizonte fazer sua curva.
O mar, flutuar em sua superfície, sentir o toque agradabilíssimo da água. A noção vaga da profundidade de seus abismos, e das criaturas que lá se abrigam. Oceano, com suas revoltas e calmarias, sempre temperamental.
Vastas planícies cobertas pelos raios do sol. Correr de braços abertos na certeza de não encontrar limites. Descer a ribanceira, saltar o riacho. Sentir sob os pés a grama macia depois da chuva.
Tanto espaço, tantos lugares, tão pouco tempo.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Um jardim particular
Um universo interior composto pela imaginação interpretava todas as sensações que chegavam vindas da vigília do mundo exterior. Não era como o refúgio de um louco, ou de um artista, para escapar de um mundo real duro demais para ser suportado; era o seu mundo real, interpretado a sua própria maneira, crível para ele em todos os sentidos. Um universo composto de maravilhas e de coisas fantásticas. Mas não era como o desvario de uma mente que perde o controle assim como as vagas sob os ventos da tempestade. Não, era um mundo ordenado e sistemático, como um imenso relógio mecânico repleto de complicações. Com leis bem estabelecidas e um ar romântico permeando tudo e todos.
Este universo extravasava para o mundo externo e se corporificava nas coisas e relações. Os objetos deveriam ser úteis, belos, duráveis e exibirem de forma inequívoca a mais apurada técnica do artesão que os criou; mais, deveriam estar imbuídos de tradição e possuir um espírito próprio. As relações deveriam ser estabelecidas pelas afinidades do espírito e desenvolverem-se dentro de um ambiente de fraternidade e confiança. Não deveria o homem temer nada uma vez que se encontrasse entre os seus.
Este universo extravasava para o mundo externo e se corporificava nas coisas e relações. Os objetos deveriam ser úteis, belos, duráveis e exibirem de forma inequívoca a mais apurada técnica do artesão que os criou; mais, deveriam estar imbuídos de tradição e possuir um espírito próprio. As relações deveriam ser estabelecidas pelas afinidades do espírito e desenvolverem-se dentro de um ambiente de fraternidade e confiança. Não deveria o homem temer nada uma vez que se encontrasse entre os seus.