Um universo interior composto pela imaginação interpretava todas as sensações que chegavam vindas da vigília do mundo exterior. Não era como o refúgio de um louco, ou de um artista, para escapar de um mundo real duro demais para ser suportado; era o seu mundo real, interpretado a sua própria maneira, crível para ele em todos os sentidos. Um universo composto de maravilhas e de coisas fantásticas. Mas não era como o desvario de uma mente que perde o controle assim como as vagas sob os ventos da tempestade. Não, era um mundo ordenado e sistemático, como um imenso relógio mecânico repleto de complicações. Com leis bem estabelecidas e um ar romântico permeando tudo e todos.
Este universo extravasava para o mundo externo e se corporificava nas coisas e relações. Os objetos deveriam ser úteis, belos, duráveis e exibirem de forma inequívoca a mais apurada técnica do artesão que os criou; mais, deveriam estar imbuídos de tradição e possuir um espírito próprio. As relações deveriam ser estabelecidas pelas afinidades do espírito e desenvolverem-se dentro de um ambiente de fraternidade e confiança. Não deveria o homem temer nada uma vez que se encontrasse entre os seus.